
Pai – Oi, vamos tomar um chimarrão?
Eu – Pai, o que você esta fazendo aí?
- Eu moro aqui
- Como? Não é possível!
- Por que não?
- Porque não; o que foi que aconteceu?!!!
- Não sei, eu estava no hospital e quando dei por mim… estava aqui.
- Isto não pode ser; por que aconteceu isto? Por que não nos avisou?
- Porque não posso sair daqui.
- Pode sim! Vamos para casa.
- Não, não posso.
- Por que?
- Porque se saio, vou voltar ao hospital e o outro que estava lá não existe mais.
- Como fica o outro então?
- O outro era louco
- E quem não é?
- Deus
- Ah! Sim que é!
- Não é, não!
- Isto é uma loucura
- Ele é nossa loucura
- Ele não existe
- Existe, sim!
- Como é que você sabe?
- Porque falei com Ele.
- E o que foi que Ele disse?
- Que esta era a única forma
- De que?
- De continuar vivendo
- Você chama isto de vida?
- E não é?
- Isso não importa, o único importante é a situação na qual você se encontra.
- Como é isso?
- Por que Ele não lhe colocou em outro lugar?
- Porque era o que estava disponível
- Ele não é todo Poder? Desde quando depende da disponibilidade dos humanos?
- Desde sempre
- Isso é um absurdo
- A Vida é um absurdo
- Como assim?
- Pensa…
- Em que?
- Na forma como são as coisas
- Sim, e?
- E, que sempre Ela encontra uma forma de continuar, e isso sim, é um absurdo, se
falamos disso.
- De que outra coisa poderíamos falar?
- De nós
- Então fala!
- Que fazes aqui falando com um mendigo?
- Tentando saber porque você não nos avisou
- Não o fiz porque não acreditariam em mim, não me reconheceriam
- Mas eu te reconheço! Por que os outros não o fariam?
- Me reconheces, porque tu me olhas com os olhos da alma
- E?
- E que por isso pode reconhecer seu pai num mendigo que vive na esquina, na rua da
sua casa.
- Mas você é meu pai!
- Será que sou? Ou será que sou a voz do abandono, que por alguns instantes habita
este Ser, para que possa comunicar-se com você?
- A voz ou o Ser?
- Os dois
- Não brinca comigo…
- Quando eras pequena gostavas…
- Mas não sou mais uma menina pequena, e não brinque com coisas serias.
- O que é mais serio do que uma conversa?
- Não gosta do rumo das palavras
- Então muda as palavras, ou… segue o teu rumo
- Continuas brincando comigo
- Me acusas por segunda vez
- Estou perdendo a paciência
- Por que as coisas não estão acontecendo como esperavas?
- Porque as suas respostas são evasivas
- E qual é o teu desejo?
- Sobre que assunto?
- Agora é você quem evade a resposta
- Isto não leva a nada
- E a onde você quer ir? O que é que você deseja?
- Quero levar-te para casa
- A um mendigo? Como explicarias a minha presença?
- Não é necessário, somente tens que confirmar quem és.
- Firmar onde? Não sei escrever
- Eu não disse isso, falei confirmar, afirmar comigo
- Para que?
- Como para que? Para que possas viver bem, estar comigo, com nós novamente
- Mas minha filha…. ninguém quer alguém como eu por perto, quase ninguém sabe olhar
com os olhos da alma
- Não importa, não vou deixar você aqui.
- Uma vez em outra vida você abandonou sua família para ir viver numa choupana;
abandonarias tua casa para viver na rua com teu pai?
- Não faças isso, não é necessário
- O que desejas não é possível, nem de uma forma nem de outra; é preciso que
entendas que cada coisa tem seu lugar, e a não ser que alteres a ordem das coisas,
tudo deve continuar assim
- Isto é uma alteração da ordem
- Não, isto é uma alteração dos fatos
- Como assim?
- A ordem foi preservada, porque ainda que ouve uma troca de igual peso e valor,
somente mudaram os fatos
- Para que?
- Para que a Vida possa seguir seu curso
- Com que objetivo? Qual é a finalidade de tudo isto?
- Você decide qual é a finalidade
- Isso é uma armadilha
- Não posso acreditar que abandones tua objetividade sobre os fatos, por causa das
emoções
- Que finalidade pode ter o fato de encontrar-te aqui com tua alma intacta?
- A mesma que se propaga de Vida a Vida, de existência a existência
- E a tristeza de recordar coisas melhores?
- Por isso nem todas as pessoas podem lembrar; na realidade esse é um dos motivos
ou dos medos.
- Então, de existência a existência somente mudam os fatos mas não a ordem?
- Exato
- Mas isso é uma porcaria! Quem inventou as coisas assim?
- Os Humanos
- Isso é estúpido
- Concordo
- Como alterar a ordem?
- Seria o mesmo que tirar-me daqui
- Somente tem de ser feito
- Sim, somente tem de ser feito.
- E qual é o problema?
- O problema é que a ordem humana não permite isso
- Por que?
- Porque se tornou um hábito empedernido, cristalizado, por isso a morte é a única que
quebra a ordem humana
- Como?
- É a única coisa que consegue tocar os corações humanos, e ainda assim, nem sempre
- Que horror!
- Sim, esse é o horror humano, colocar a ordem dos fatos acima da morte
- Porque?
- Porque é a única coisa que restou, e que ainda pode mudar tudo
- É uma ironia
- Sim, que coisa?
- Que a morte ainda seja necessária, não por mudar de veículo, mas sim como uma
forma de despertar as pessoas
- E ainda assim, a maioria das vezes, não acontece, como não aconteceu com a tua
família
- A nossa
- Já não o são mais, não da forma como o eram; são as tuas pessoas familiares, e não são mais família minha que os outros mendigos que vem aqui para a fila da sopa comigo. Mas isso não é relevante, o importante é que você perceba a diferença entre as coisas e as situações que os humanos geram e nem sequer pensam nisso
– Que posso fazer?
- Nada, a não ser continuar evoluindo, abrindo caminho para os que ainda não nasceram
- É muito pouco, e somando o fato de que não posso ajudar-te… o resultado é desalentador
- Já me estas ajudando, e também aos que ainda estão adormecidos
- Como? Não vejo como te ajudei
- Deste-me uma finalidade, um objetivo
- Do que você esta falando?
- Faz tempo que passas por aqui, mas não me enxergavas, não me ouvias; mas hoje,
chegou meu turno, deste-me a oportunidade de expressar-me, dando significado e
justificando o fato da minha estadia aqui
- Que confuso! Que horror! Que desastre!
- Verdade, ao igual que tu, muitos passam pelos mendigos todos os dias, mas não
param para ouvir-me neles, ou para ouvir aqueles que já se foram, ou melhor… os
que já voltaram, transformados em vozes conscientes, prontas para ensinar
- Estás dizendo que os mendigos e os andarilhos são sábios prontos para serem
ouvidos?
- Se olhas com a alma e escutas com o coração, sim; porque a linguagem deles não tem
voz, pois está fora da ordem humana, é a linguagem dos fatos
- Complicado
- Nem tanto, basta que penses fora da ordem estabelecida
- Claro; a pergunta é: quem quer levar um mendigo para casa hoje?
- Não; a pergunta é: quem quer lembrar hoje?
- Que loucura! E agora, como fica tudo isto?
- Tu dirás…
- Não sei…
- Pois pensa e outro dia falamos
- Não quero outro dia, quero agora! Isto tudo quer dizer que não faleceste, que estas
aqui, transferido ou algo assim, e que tenho que aceitar que as cosias sejam assim?.
- Para começar, isto não significa nada, e nunca pareceu-me que você seja alguém que
“aceita as coisas como são”
- Mas então…..
- Então… abriu-se uma brecha no espaço-tempo, e temos algo para aprender um com
o outro; temos algum tempo para que te ajude com este pedaço do Caminho.
- Mas isto é doloroso para mim
- Não, não é doloroso, é estranho, não o tens registrado na consciência, mas não é
doloroso
- Como você pode saber?
- Porque te conheço e sinto a Paz da tua alma
- É estranho
- Eu disse…
- Tenho levemente a mesma sensação da experiência com a Consciência Cósmica; e
quase posso sentir que está tudo bem assim, como você quer me fazer acreditar.
- Eu não disse que está tudo bem assim; não confunda as coisas e não faça mau uso
das palavras
- É verdade… então… como são as coisas?
- O que você sente é a compreensão intrínseca da situação, mas não está tudo bem;
tudo está em ordem, na ordem que os humanos criaram, nos ciclos de causa e efeito;
por isso somente mudam os fatos
- Fala-me da Alma do Mundo e da experiencia que tive
- Um mergulho na memoria do planeta – que foi a tua experiencia, e à qual chamam
Consciência Cósmica- te da uma sensação de plenitude, de conformidade, de
identificação total; e ao estar tua pequena consciência submergida numa memoria total
maior, você se sente em paz, pelo conhecimento, por estar e ser parte do Todo e de
todos.
Mas não é verdade que está tudo bem; o que está mal continua estando mal, somente
que a consciência total justifica esse mal-estar pela Lei de Causa e Efeito ou Lei do
Karma, que regula a si mesma; é a tranquilidade que a explicação deixa; mas não
sairemos do mal-estar a não ser que passe a ressaca da bebedeira que tomamos
quando nos submergimos na Alma do Mundo
- Nunca tinha pensado nisso, nunca tinha pensado naquela experiencia maravilhosa
dessa forma
- Sim, é uma experiencia impar; mas não esqueça o que disse Ratziel: “uma experiencia
deve ser somente isso, algo que deve ser transcendido para poder passar á seguinte
etapa”
- Porque as coisas parecem tão obvias e ainda assim a gente não as percebe?
- Não parecem, são obvias! O que falta é olhá-las, a elas e aos outros; como disse
alguém “você somente não enxerga, somente não percebe aquilo que está
acontecendo numa direção á qual não está olhando”.
- Claro! Mas esse olhar do qual você fala não é o que normalmente chamamos assim
- “Obvio que não! Esse olhar têm que ser com os olhos da alma, como já falamos
antes; é um olhar inquiridor que vai em dois sentidos, opostos e complementares: para
o exterior, o que significa recolher a imagem, e para o interior, o que significa
confrontar essa imagem com nossas memorias mais profundas, pois nesse nível
podemos contactar o inconsciente coletivo, a memoria comum a todos, e assim
identificar a informação que chega com os registros anteriores, quando “vimos” a
mesma coisa por ângulos diferentes; e dessa forma surge uma nova síntese, um novo
aprendizado
- Você está falando como meus Maestros
- Sim? Quem são Eles?
- Seres de outros planos ou dimensões -como prefira- que me contam coisas
- Lhe contam coisas?
- As vezes, ( falando ou explicando melhor) indicam-me direções para onde dirigir meu
“olhar”, por isso lhe disse que você esta falando como Eles
- Tal vez eu seja um de “seus” Maestros, tal vez seus Maestros sejam mendigos como
eu; quem pode sabé-lo? Como pode você saber?
- Eu acredito que você é meu pai, -o que meu deu a vida- que de alguma forma voltou
para mim
- Será? E ainda que o fosse… por que voltar “para você”?
- Já não sei nada; tudo isto me transcende, me atordoa
- Por que você sempre quer saber tudo?
- Porque en decorrência disso é que estamos tendo esta conversa, por exemplo
- Estamos realmente conversando ou você somente está brincando de perguntas e
respostas, falando consigo mesma, como fazem as pessoas solitárias?
- Posso adivinhar em suas palavras algo mais que quer que eu “olhe”
- Pode ser… E o que seria isso?
- A relatividade das coisas
- Pode ser… E como você pensa que seja isso?
- Não sei, o mendigo aqui é você, então… me esclareça o assunto
- Falar com você (se é que estamos falando) é muito interessante
- Por que?
- Pela forma como você coloca as coisas
- Como?
- Sempre na defensiva, com um pé atrás, sem compromisso, e ao mesmo tempo
disposta a ir até as últimas consequências para obter o que deseja
- O que têm isso?
- Você atua como Eles
- Como quem?
- Como os “Maestros”
- Aprendi com Eles
- O que?
- Eu chamo de jogo
- E como é?
- É uma mistura de dança e brincadeira de criança
- Como funciona?
- Me conte sobre a relatividade
- Depois
- Ta bom
- E a mistura?
- É uma dança no sentido de mostrar-se sem esclarecer muito e esconder-se para ver o
que acontece; uma dança de palavras que contêm significados reais que foram
revistos, gerando novas fontes de investigação, mas que podem não levar a nada até o
momento correto.
- Como é isso?
- É deixar espécies de pistas, alinhadas com fatos concretos, que somente no momento
exato, se surge o catalisador adequado, fazem que aconteça a “explosão” do
entendimento
- Catalisador? Um catalisador de palavras e fatos? O que poderia ser isso?
- Qualquer coisa
- Isso é muito vago
- Como tudo
- De novo você esta atuando como Eles, por acaso você está “dançando” comigo?
- Pode ser… Parece que invertemos os papeis…Melhor você me explica sobre a
relatividade
- Mas se você não fez outra coisa que experimentá-la desde que nos encontramos…
- Ah não! De novo não!
- Que aconteceu?
- No tente me confundir
- Já me esqueceu? Eu não faço isso, nunca o fiz
- Me perdoe
- Pense… tudo é relativo; se diz que “somente a mudança é permanente”, e eu lhe digo
que “somente o que é relativo é real”; o resto… o resto são historias para serem
revistas
- Você está brincando! Não o pude evitar, “conversa de butiquím”; o que mais sobre a
relatividade real? Se o que você falou está correto e se entendi bem, isso implica en
que o resto é ilusório
- De fato
- Por que?
- Porque o que não é relativo, cristalizou e como somente a mudança é permanente,
não pode existir mais que uma ilusão de cristalização; então aquilo que se vê como
não relativo não existe.
- Complicado de novo
- De forma alguma, preste atenção: as coisas podem ser ou não ser, pode ser uma
coisa ou outra, posso ir ou ficar, posso estar ou ser, ou as duas coisas, ou não, ou “n”
coisas, tudo é relativo, depende do prisma pelo qual se olhe
- Explique
- Uma pessoa que não faz o bem…
- Sim…
- É má ou somente não faz o bem?
- São coisas diferentes
- Não; são a mesma coisa
- Por que?
- Quem não faz o bem é mau na medida de todo o beneficio que poderia estender a
outros; por exemplo: quem pode distribuir comida para os vizinhos necessitados, e não o faz, é mau porque não pratica o bem que outros precisam, e dessa forma está aumentando o sofrimento desses outros; tudo são conceitos, tudo é relativo, depende do julgamento que você faça da situação que esta observando
- E?
- O segredo está em experimentar muitos conceitos e encontrar a relatividade dos fatos
- Para que?
- A pergunta é: por que?
- Então: porque?
- Porque isso lhe leva a planos mais elevados de consciência de forma simples e fácil,
fácil
- Como? De que forma?
- É uma brincadeira de criança, como procurar os sinais nas ruas
- Brincar com os conceitos e a relatividade dos fatos para encontrar o absurdo das
coisas
- E a cristalização
- Você disse que ela é ilusória, que não existe
- Não existe realmente, não na dimensão real das coisas; mas neste mundo “Maya”, as
pessoas conseguem afundar-se no que não existe, no que é ilusório; já percebeu isso?
- Sim, até já aconteceu comigo antes
- Lamentável
- Bom, mas superei a ilusão
- Me conte como foi
- O que?
- Uma dessas ilusões
- A morte do meu irmão
- E?
- Foi horrível, e muito real
- É?
- Quando aconteceu a sua eu já estava curada da ilusão da morte, e não me trouxe
sofrimento
- E o que lhe trouxe?
- Entendimento, compreensão
- O que você compreendeu?
- Que fui abençoada por ser sua filha
- Como?
- Sua forma de ser guiou meu Caminho; por isso me orgulho quando falo de você
- Por que?
- Porque ninguém pode falar nada ruim sobre a sua pessoa; sempre posso dizer que
por você não veio mal ao mundo. (segue)
Imagem: alicepopkorn
Debora Rocco é uma Sacerdotisa da Deusa.
Sê-lo implica numa grande responsabilidade: propagar o Amor e o conhecimento pela Mãe Terra, proporcionando a todos os que assim o desejarem, a oportunidade de aprender os Antigos Mistérios da Deusa, colaborando dessa forma com a evolução da Humanidade e do Planeta como um Todo.
| Todos os textos sobre Ensinamentos
Saudações querida bruxa,
Queria saber oque eu posso fazer para a minha vida melhorar? Já faz um tempo que ando sentindo a falta de amigos, que te apoiam em todas as horas, amigos de verdade, e também de amor.
Você teria alguma sugestão?
Grato.
oi eu quero saber o porque eu andar para tra , por mais que eu quera e lute , e amor , ja sofri de mais com 44 anos , esse homen que estou apaixonada ta brincado comigo ne , me ajuda to no fundo do poço